Atualizado em 2 de outubro de 2026
Resumo rápido
Para consultar precatório pelo CPF no TRF4, use a página “Consultar Precatórios e RPVS” do tribunal. O CPF sozinho não basta: a tela exige também a chave do precatório ou da RPV e mais um número, que pode ser o do precatório, o do processo de origem ou o da requisição. Desde 12/04/2024 os processos de precatório e RPV da 4ª Região correm em sigilo no eproc.
- Por que importa: desde o sigilo, o advogado que não está nos autos deixou de ver o processo do precatório, e a consulta pública exige uma chave que a tela não explica.
- Como funciona: a mesma tela serve para precatório e para RPV federal de ação que correu no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina ou no Paraná.
- Fique atento: a consulta pública é informativa. Quando abriu, em 2017, o TRF4 avisava que ela não mostrava os valores depositados. Dúvidas sobre saque, bloqueio e cálculo vão ao advogado da causa ou à vara.
- Em números: para as RPVs federais recebidas pelo TRF4 em junho de 2026, o Conselho da Justiça Federal liberou R$ 623.984.745,33, com saque a partir de 30/07/2026.

Abaixo estão o caminho da consulta, onde procurar a chave, a lista por ordem cronológica e o que fazer quando nada aparece.
Sumário
- De quais estados o TRF4 cuida?
- Por que o processo do precatório não aparece mais na consulta?
- Como consultar precatório pelo CPF no TRF4, passo a passo
- Como conseguir a chave do precatório ou da RPV?
- Como ver a lista de precatórios do TRF4 por ordem cronológica?
- Precatório do estado ou do município: onde consultar no Sul?
- Consultei e não encontrei. O que pode ser?
- Perguntas frequentes
De quais estados o TRF4 cuida?
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) julga as causas federais do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, com as seções judiciárias JFRS, JFSC e JFPR. Se você ganhou uma ação contra a União, o INSS ou outra autarquia ou fundação federal num desses estados, o seu precatório ou a sua RPV é, em regra, pago pelo TRF4. A exceção são as ações de acidente do trabalho, que correm na Justiça Estadual.
Precatório federal é a ordem de pagamento que o juiz da causa manda ao tribunal quando a condenação contra a Fazenda federal passa do teto da RPV. A Requisição de Pequeno Valor (RPV) é a mesma ordem para valores até 60 salários mínimos (Lei 10.259/2001, art. 17, § 1º, c/c art. 3º), o que dá R$ 97.260,00 com o salário mínimo de 2026, de R$ 1.621,00 (Decreto 12.797/2025). Os dois se consultam na mesma tela.
Para dar a escala: para as RPVs federais recebidas em junho de 2026, o Conselho da Justiça Federal liberou ao TRF4 R$ 623.984.745,33, com saque a partir de 30/07/2026. Foram R$ 249.709.029,10 no Rio Grande do Sul, R$ 157.226.433,83 em Santa Catarina e R$ 217.049.282,40 no Paraná (TRF4, 22/07/2026).
Se a ação contra o estado ou o município correu na Justiça Estadual, o precatório corre no Tribunal de Justiça, e a seção sobre os TJs do Sul, mais abaixo, diz onde procurar.
Por que o processo do precatório não aparece mais na consulta?
Porque desde 12/04/2024 os processos de precatório e de RPV da Justiça Federal da 4ª Região tramitam em sigilo no eproc, o sistema de processo eletrônico do tribunal. O TRF4 anunciou a mudança naquele dia e listou o que ficou restrito (TRF4, “Processos de precatórios e de RPVs passam a tramitar em sigilo na Justiça Federal da 4ª Região”):
- Os dados de pagamento ficaram visíveis só para os advogados e procuradores vinculados ao processo.
- Os documentos com os cálculos do processo de origem também.
- O número do processo do precatório ou da RPV deixou de aparecer para advogado ou procurador que não esteja nos autos.
- O acesso à íntegra do processo ficou indisponível para advogados e procuradores que não estejam nos autos.
O motivo declarado são os golpes. O tribunal diz que vinha recebendo comunicações de seccionais da OAB e de cidadãos denunciando tentativas de golpe envolvendo o pagamento de precatórios e RPVs, e que a medida leva em conta os “acessos abusivos por terceiros” e o uso das informações desses processos “para a prática de ilícitos em prejuízo dos jurisdicionados”.
Para o credor, a consequência é esta: a consulta pública ficou mais fechada, e o caminho mais curto até os dados do pagamento passa pelo advogado que atuou na causa.
Como consultar precatório pelo CPF no TRF4, passo a passo
A consulta de precatório pelo CPF no TRF4 é feita numa página só, sem login, e é a mesma da consulta de RPV. A tela pede três blocos de informação, e os dois primeiros são obrigatórios: sem a chave do precatório ou da RPV, o CPF sozinho não abre a consulta. Conferimos o caminho em 02/10/2026.
- Abra a página de precatórios do TRF4. O endereço curto trf4.jus.br/precatorios leva direto à tela “Consultar Precatórios e RPVS”.
- Preencha o bloco “1. Preenchimento obrigatório”. São dois campos: “CPF ou CNPJ do Beneficiário” e “Chave do Precatório/RPV”. Sem a chave, a consulta não anda.
- Preencha só um campo do bloco “2”. A tela pede “Preencher somente um dos campos abaixo”: o “Número de registro de precatório ou RPV (10, 15 ou 20 dígitos)”, o “Número do processo de origem” ou o “Número da requisição (9 ou 11 dígitos)”. Qualquer um serve.
- Clique em “Consultar”. O bloco “3” tem uma caixa para marcar “se necessário” antes do botão.

O resultado é informativo. Já em 2017, quando abriu a consulta, o TRF4 avisava que ela, “por questão de segurança, não disponibiliza os valores que estão depositados”, e que eles podem estar bloqueados por decisão judicial (TRF4, 25/08/2017). A data de saque está no Demonstrativo de Pagamento, que, segundo as perguntas frequentes do tribunal, é juntado à informação processual do precatório e ao processo judicial (TRF4, Perguntas frequentes, item 08).
Como conseguir a chave do precatório ou da RPV?
O TRF4 não diz. A tela exige a chave e não explica de onde ela sai: não há texto de ajuda ao lado do campo, e as perguntas frequentes do tribunal nem a mencionam. Como os autos do precatório e da RPV são sigilosos desde abril de 2024 e, segundo o comunicado do TRF4, os dados de pagamento ficaram restritos aos advogados e procuradores vinculados ao processo, o caminho mais provável é pedi-la ao advogado que atuou na causa.
Ao falar com o advogado, peça de uma vez três coisas:
- a chave do precatório ou da RPV, para a consulta pública;
- o número do precatório, da RPV ou da requisição, para o bloco 2 da tela;
- o Demonstrativo de Pagamento, que traz a data em que a conta fica liberada. O número da RPV, diz o TRF4, aparece “no início do documento onde diz ‘Processo'” (TRF4, 22/07/2026).
Se você não sabe quem é o advogado, ou perdeu contato com ele, procure a vara onde a ação correu: é a ela, ao lado do advogado, que o próprio TRF4 manda o beneficiário para informações (TRF4, 25/08/2017). A Secretaria de Precatórios do TRF4 atende nos telefones (51) 3213-3470 e (51) 3213-3473 (TRF4, 05/05/2023). Para entender os números que aparecem no processo, veja como saber o número do precatório.
Cuidado com quem oferece a chave ou o valor do seu precatório sem ter sido procurado. O mesmo alerta do TRF4 diz que os golpistas usam “nomes de advogados verdadeiros, números de OABs verdadeiros (…) número de processos verdadeiros, valores verdadeiros”, e que o tribunal não cobra nada para liberar precatório ou RPV. Como reconhecer a abordagem está em fraude em precatórios: como se proteger.
Como ver a lista de precatórios do TRF4 por ordem cronológica?
Pelo botão “Dívida Consolidada por Entidade”, na mesma página de precatórios. Ele abre a tela “TRF4 – Consulta precatórios por ordem cronológica”, que não pede CPF nem chave e entrega a lista numa planilha para baixar. Você escolhe o tipo dos precatórios e clica em “Pesquisar Processos”:
- Fazenda Pública Federal (União, autarquias e fundações);
- Entidades extraorçamentárias, regime geral;
- Entidades extraorçamentárias, regime especial.

No teste de 02/10/2026, a pesquisa gerou um arquivo .csv com a data do dia no nome. Abra-o num programa de planilha.
O bloco “Geral” da página tem mais duas listas em planilha (.xlsx): “Precatórios pagos a partir de 2022 (EC 113 e 114) em ordem cronológica” e “Mapa de Precatórios – Ano Referência 2025”. No mesmo bloco ficam o botão “Certidão negativa/positiva de precatórios (estados e municípios)” e o de verificação de autenticidade dessa certidão.
Precatório do estado ou do município: onde consultar no Sul?
Se a ação correu na Justiça Estadual, a consulta é no Tribunal de Justiça do estado. Para facilitar, a página de precatórios do TRF4 tem, no fim, o bloco “Consulta aos Precatórios do Regime Especial (Estados e Municípios)”, com um botão para cada TJ do Sul. A tabela mostra para onde cada um leva:
| Botão no TRF4 | Para onde leva (conferido em 02/10/2026) |
|---|---|
| Consulta TJ – RS | pesquisa de precatórios do TJRS |
| Consulta TJ – SC | endereço antigo, que não abriu; a lista está na página de precatórios do TJSC |
| Consulta TJ – PR | página de precatórios do TJPR |
No TJSC, a lista de ordem cronológica se consulta pela entidade devedora, e o tribunal recomenda ter em mãos o número do precatório.
Consultei e não encontrei. O que pode ser?
Resultado vazio na consulta do TRF4 não prova que o crédito não existe. Estas são as causas mais prováveis, das que você mesmo corrige às que dependem de outra pessoa:
- Faltou a chave, ou ela está errada. O campo é obrigatório. Confira com o advogado.
- O número do bloco 2 não confere. Use um campo só e confira os dígitos: o número da requisição tem 9 ou 11; o de registro do precatório ou RPV, 10, 15 ou 20.
- O CPF não é o do beneficiário. A tela pede o CPF ou CNPJ de quem vai receber.
- A requisição ainda não chegou ao tribunal. Antes de o juiz expedir a requisição e o tribunal registrá-la, não há o que consultar no TRF4. A informação está no processo de origem, na vara.
- O precatório é de outro tribunal. Ação contra estado ou município que correu na Justiça Estadual tem o precatório no TJ. E crédito federal de fora do Sul é de outro TRF: o de Minas Gerais, por exemplo, se consulta no TRF6, e o da Bahia, no TRF1.
Se nada disso resolver, o caminho é o mesmo do sigilo: o advogado da causa tem acesso aos dados de pagamento e aos cálculos, e a vara onde a ação correu pode dar informações sobre o processo. Para o que fazer quando o valor já está liberado, veja como sacar o precatório.
Se, depois de localizar o precatório, você quiser entender o que fazer com ele, nossa equipe pode analisar o caso e explicar os cenários. Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do seu caso concreto: as condições variam conforme o crédito, o ente devedor e o momento.
Perguntas frequentes
Como consultar precatório do INSS pelo CPF no TRF4?
Pela mesma tela, com CPF, chave e um dos números. O INSS é autarquia federal, e a requisição contra ele vai ao TRF4 também quando a ação correu numa vara estadual, em comarca sem vara federal (a chamada competência delegada). Nesse caso, o valor sai com alvará ou meio equivalente (Res. CJF 983/2026, art. 49, § 5º). A exceção são as ações de acidente do trabalho, que são da Justiça Estadual (CF, art. 109, I): nelas, a requisição não vai ao TRF4.
A consulta mostra quanto eu vou receber?
Não espere ver o valor ali. Quando a consulta abriu, em 2017, o TRF4 avisava que ela não mostrava os valores depositados, e com o sigilo de 2024 os dados de pagamento ficaram com os advogados e procuradores do processo. A data de liberação está no Demonstrativo de Pagamento, e o valor depositado, nos autos, cujos dados de pagamento o comunicado do TRF4 restringiu aos advogados e procuradores vinculados. Para saber o valor, peça ao advogado.
Por que a consulta do TRF4 foi criada?
Ela abriu em agosto de 2017 por causa da Lei 13.463/2017, que cancelava os precatórios e as RPVs federais com valor depositado havia mais de dois anos sem saque e transferia o dinheiro para o Tesouro Nacional. Essa regra caiu: em 30/06/2022, o Supremo declarou inconstitucional o cancelamento automático (art. 2º, caput e § 1º, da lei) na ADI 5.755, com efeitos a partir de 06/07/2022. Hoje vale outro prazo de dois anos, o da Lei 14.973/2024 (art. 39), contado da intimação para levantamento e com aviso nos autos antes de a conta ser encerrada; ele é questionado no STF (ADI 7720), ainda sem julgamento em outubro de 2026. O que acontece com o depósito parado, e com o que foi cancelado antes disso, está em meu precatório ou RPV foi cancelado: e agora?.
Como sacar o precatório ou a RPV liberada no TRF4?
Na Caixa ou no Banco do Brasil, onde está a conta aberta em nome do beneficiário, e em regra sem alvará: a agência tem até 48 horas para pagar depois que você apresenta os documentos, prazo que pode dobrar quando a agência recebe um lote grande (Res. CJF 983/2026, art. 49, §§ 1º e 2º). O alvará, ou meio equivalente, é exigido quando o juiz o determina, quando há contribuição a recolher e quando a requisição veio de vara estadual em competência delegada (§§ 3º a 5º). Nos processos de vara federal, quando o valor está liberado sem alvará, o advogado pode pedir a transferência para a conta do beneficiário pelo “Pedido de TED”, no eproc. Os documentos que o banco pede estão no guia de saque de precatório e RPV.
Que normas o TRF4 aplica aos precatórios hoje?
A página “Manuais e Legislação Aplicável” do tribunal lista a Resolução 983/2026 do Conselho da Justiça Federal e a Resolução 325/2023 da Presidência do TRF4, além do manual de procedimentos e das instruções de preenchimento das requisições. As resoluções de 2017 que circulavam em textos antigos (a 458/2017 do CJF e a 9/2017 do TRF4) não aparecem mais ali.


boa tarde eu receber um beneficio pela inns só receber um salario eu tenho dereito de receber sou dicifientes faz 10 ano muito obrigado
Maria das Graças,
Para ter direito a um precatório é necessário ter tido uma ação judicial contra o INSS, seja por revisão de valores ou pensão, e ganhado. Caso contrário não há precatório para a senhora.
Espero ter ajudado 🙂